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O ainda Senador Demóstenes Torres, sem partido após ser convidado a se retirar do DEM, representa muito bem grande parte da atual classe política: Diz uma coisa para os eleitores, mas faz outra por trás das câmeras e microfones, e completamente diferente de seu discurso.

Após se tornar senador em 2002 por Goiás, Demóstenes construiu sua carreira política escorado na ética e na justiça. Em seu segundo mandato, devido a sua árdua luta contra a corrupção, já se apresentava como um dos líderes da oposição nacional. Entretanto, tudo aquilo que Demóstenes Torres defendia ruiu e se voltou contra aquele que um dia fora considerado o paladino da ética do decadente e atual parlamento brasileiro.

O senador foi descoberto como um “servidor de luxo” do contraventor do jogo ilegal em Goiás, Carlinhos Cachoeira. Do mesmo é acusado de receber além de presentes e cortesias cerca de R$ 50 milhões, como parcela de supostos esquemas. Em escutas telefônicas, também ficou evidente que Torres defendia os interesses de Cachoeira no Congresso.

Sempre defensor da investigação, da apuração e da punição severa aos culpados, principalmente na vida pública, agora Demóstenes atua de maneira distinta. Viu-se obrigado a deixar pelas portas do fundo seu partido, o Democratas, e a não se pronunciar, negando-se dar satisfação à população, postura que sempre exigiu de seus colegas.

Não bastasse todo o caso, o Senador, nesta quarta-feira, no Blog do jornalista Ricardo Noblat, publicou um artigo criticando a política econômica do governo Dilma. “Enquanto isso, rodovias, portos, aeroportos, ferrovias e a burocracia seguem seu curso, tragando sonhos de todas as extensões”, diz o artigo, tendo como referência no novo pacote de apoio a indústria, anunciado pelo governo. Acontece que o que segue em curso, nobre senador, é a decadência total do homem público e a decepção da sociedade. Um representante do povo acusado de fatos tão obscuros junto a criminosos e que se nega a esclarecê-los, por não encontrar respostas, não deveria escrever artigos criticando a política econômica do governo, mas sim preparar sua renúncia ao parlamento brasileiro.

Digo renúncia pelo fato de que Demóstenes não sofrerá punições de seus pares. Apenas como primeira percepção, dentro do conselho de ética, senador nenhum se manifestou em presidi-lo para dar sequencia nos procedimentos abertos pelo PSOL. A resposta é mais que clara: Não só Demóstenes Torres atua como “servidor de luxo” de contraventores no congresso. Vale lembrar que todos precisam de financiamento para suas campanhas e retribuir é o mínimo que se exige.

Acredita-se que Demóstenes Torres foi à última grande decepção da política brasileira. Para quem o acompanhava sabe-se que não foi uma decepção e muito menos a última.
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