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Henrique Cézar | A CPI interessa ao Brasil


O brasileiro está normalmente acostumado com mentiras, mesmo sendo provável que não saiba. Aprendeu que os índios se amavam antes da chegada dos portugueses, que a feijoada é de origem brasileira, que Santos Dumont inventou o avião, que a Princesa Isabel salvou a pátria dos negros, que o Paraguai se tornaria potência mundial se não fosse a guerra e tantos outros fatos que tendem a esconder os fatos históricos como eles realmente aconteceram. Contudo, a modalidade da mentira é representada hoje através da classe política, principalmente quando se trata de abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito, ou CPI.

Após a explosão de denúncias ligando diversos políticos e instituições ao contraventor do jogo ilegal, Carlos Augusto de Almeida Ramos, o Carlinhos Cachoeira, a começar por Demóstenes Torres, o qual parece ser apenas o ponto de largada do circuito cachoeira nas esplanadas do poder, tornou-se insustentável perante a opinião pública a abertura de uma CPI.

Acontece que antes mesmo de sua abertura, a CPI já é alvo de tentativas obscuras de se impedir um trabalho amplo e profundo. Após uma agitação há alguns dias em prol de sua articulação, os “ânimos” se acalmaram. Oposição acusa o PT de querer com isso abafar o mensalão, enquanto os petistas vêm cada vez mais ligações de Cachoeira com um dos principais líderes tucanos, Marconi Perillo.

Em meio ao fogo cruzado, Dilma Rousseff sabe que como toda CPI, essa, mais do que qualquer outra, não terá final ensaiando, podendo atingir seu governo. Ao contrário do mensalão, o esquema de Cachoeira não envolve grupos interessados em manter o poder, mas visam à satisfação de interesses privados, ou melhor, satisfação de bolsos privados. Mesmo sem a divulgação do conteúdo da operação Monte Carlo, que indicou o envolvimento de Demóstenes com Cachoeira, sabe-se que as relações do contraventor atingem todos os partidos.

Relações consideradas comuns entre políticos e realizadas há décadas em nome de financiamento de campanhas poderá eclodir no maior escândalo de corrupção da história política do Brasil. Por trás de articulações de Cachoeira estão escondidos esquemas e mais esquemas de desvio de dinheiro público e direcionamento de decisões nacionais. Entretanto, prevendo suas consequências, o PMDB, coordenado por sua tropa de choque, Romero Jucá, Renan Calheiros e Valdir Raupp, pretende controlar (entenda-se blindar) a CPI, o que deve custar caro a presidente Dilma, e aos bolsos dos contribuintes, é claro.

O fato é que os brasileiros não podem engolir mais essa mentira. O caso Cachoeira trata-se de uma vergonha nacional e reúne práticas políticas que, mesmo parecendo utópico, devem ser eliminadas. A CPI não interessa ao PT para abafar o mensalão ou ao PSDB para ligar Agnelo Queiroz ao governo Lula. A CPI interessa ao povo brasileiro para esclarecer fatos. É o momento de engrossar o coro contra a corrupção e passar o Brasil a limpo. Caso contrário, muitos serão descobertos, porém, nenhum será punido. Quem não entender, lembre-se novamente do mensalão.
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