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Cantina saudável deve ser preocupação das escolas particulares

por Adilson Jorge

Salgadinhos, refrigerantes, balas e guloseimas. Os alimentos que estão nas prateleiras das cantinas escolares estão preocupando o Ministério da Saúde. No início deste mês, foi assinado um acordo entre o Ministério e a Federação Nacional das Escolas Particulares (Fenep), que pretende estimular a melhoria da qualidade dos produtos alimentícios que são fornecidos aos alunos. O início será multiplicar as diretrizes do manual “Cantinas escolares saudáveis: promovendo a alimentação saudável”, para os estabelecimentos de ensino básico, fundamental e médio.

O Ministério e a Fenep reconhecerão com um selo de qualidade as escolas que ofertam alimentos saudáveis em suas cantinas, o que possibilitará aos pais e responsáveis saber quais colégios estão preocupados com a saúde alimentar dos alunos e seguem as diretrizes do Ministério da Saúde. As regras desse reconhecimento ainda serão definidas.

Para a nutricionista Rosângela Conti, a importância de uma cantina saudável vem dela promover a alimentação saudável dentro do ambiente escolar, a fim de auxiliar na formação de hábito alimentar correto e contribuir para melhorar a qualidade de vida da criança ou adolescente. “A cantina saudável também evita que a criança ou adolescente consuma elevada quantidade de calorias em um curto período de tempo e que essas calorias sejam disponibilizadas através de alimentos considerados não saudáveis. A cantina saudável deve disponibilizar alimentos com baixos teores de gorduras saturadas, colesterol, açúcares e sódio”, explica a nutricionista.

Hoje, os índices de crianças obesas e com doenças associadas estão alarmantes. Estimativas do próprio Ministério da Saúde informam que 525 mil crianças e 140 mil adolescentes em no chamado estágio de obesidade mórbida, a com maior risco para a saúde.

Segundo a Pesquisa de Orçamento Familiar (POF), realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) entre 2008 e 2009, 34,8% das crianças com idade entre 5 e 9 anos está acima do peso que é recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e pelo próprio Ministério da Saúde. Um ambiente favorável às escolhas alimentares saudáveis para crianças é fundamental para redução da obesidade infantil afirma a OMS. O índice de jovens de 10 a 19 anos com excesso de peso passou de 3,7% em 1970, para 21,7%, em 2009.

Renata Reale é mãe de uma aluna do chamado ensino fundamental 2, que compreende do 6º ao 9º ano. Ela prefere comprar no supermercado e preparar o lanche da filha Marina. “Só dou um dinheiro semanalmente para o caso dela querer alguma coisa da cantina. Tenho receio de que ela veja alguém comento algo e fique com vontade. Eu a incentivo a não comer alimentos industrializados”, explica. Renata conta que no último colégio no qual a filha estudou, tentou fazer uma reunião para demonstrar a importância de uma alimentação saudável, mas não teve êxito. A maioria dos outros pais não se importou. “Eu me senti uma careta”, disse.

Uma discussão que engloba o assunto é a de quem seria responsável por formar hábitos saudáveis de alimentação nos alunos, família ou a escola. A nutricionista Rosângela responde que ambos têm essa responsabilidade. “A família é o primeiro contato social da criança e a escola vem em segundo lugar. É na infância que a criança forma seus hábitos que serão levados para a vida toda, inclusive o alimentar. Na escola a criança passa grande parte do dia e é com os professores e amigos que muitas vezes se sentem entusiasmados em provar algum alimento que ainda não conhece ou que nunca procurou provar por preconceito ou por falta de tempo dos pais em prepará-los e disponibilizá-los, já que o alimento industrializado geralmente é mais prático, porém, muitas vezes, não tão saudável”, explica.

Quando o colégio particular tem a cantina como fonte de renda apenas, com o objetivo de lucrar, a mudança fica ainda mais difícil. Algumas escolas começam a disponibilizar alimentos saudáveis, mas com preço exorbitantes. “Tenho conhecimento através de um paciente meu que na escola na qual ele estuda, uma maçã pequena custa R$ 3,50, um valor muito alto e que não colabora com o objetivo de incentivar o consumo destes alimentos”, comenta Rosângela.

A proibição de alguns tipos de alimentos nas cantinas escolares é lei em alguns estados como o caso de Santa Catarina, com a Lei n.º 5. 853, de 4 de junho de 2001, e Paraná, com a Lei n.º 14.423, de 2 de junho de 2004. Em 2009, um projeto de lei de autoria da deputada Patrícia Lima (PR) foi vetado pelo então governador José Serra (PSDB), com a justificativa que a “medida faz utilização de conceitos vagos e imprecisos, que carecem de rigor técnico, inviabilizando sua correta aplicação e fiscalização pelos agentes da vigilância sanitária”. A lei proibiria a venda de salgados, frituras, pipocas, biscoitos recheados, sucos artificiais e chicletes, além de fazer a cantina oferecer pelo menos dois tipos de frutas e a fixação de um cartaz informando os benefícios de uma alimentação saudável.
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