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Marcelo Henrique | Flauta de Bambu


Flauta de Bambu 


Tu me arrancaste, um dia, ao talo antigo 

E orifícios fizeste no meu peito 

Para que, assim, lograsse mais proveito 

Meu corpo de bambu, que hoje bendigo. 


Fizeste-me aceitar – e como aceito! – 

As dores e o clamor do lábio amigo, 

E o meu cantar, gerando grãos de trigo, 

Me proporciona a mesa, o teto e o leito. 


Separado de ti e do meu talo, 

Sou alma vegetal... e não me abalo! 

Sou flauta de bambu, que o Sol abrasa! 


O grito de minha alma, em tal vertigem, 

Bambu que anseia reencontrar a origem, 

É um grito de quem quer voltar pra casa!
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