Latest News

Dropdown Menu

Henrique Cézar | Vamos contratar bons funcionários em 2012


Em entrevista ao blog do jornalista Josias de Souza, no UOL, o vice-presidente da república, Michel Temer, PMDB, admitiu aquilo que já é evidente na política brasileira há muitos anos: O atual modelo de funcionamento das alianças de partidos governistas está superado. Na entrevista, Temer é mais específico e faz referência aos acordos em torno dos ministérios. Porém, preso ao sistema de manutenção do poder, tenta encontrar o meio termo do que seria o correto, ou seja, para ser ministro se faz necessária competência na área, e muita.

Na opinião de Temer, os partidos deveriam receber delegação para gerir setores inteiros. Por outro lado, vê dificuldades para a adoção de modelo 100% técnico, livre de interferências partidárias. “Vejo dificuldades, porque a classe política tem, de alguma maneira, como colaborar. A melhor solução seria os partidos formularem ideias e indicarem ministros e equipes técnicas”, afirma o vice.

Após o primeiro ano de mandado de Dilma Rousseff, a queda de sete ministros aponta para o total esgotamento do sistema que determina hoje em dia a lotação de ministérios e secretarias estaduais e municipais em todo o país. Além de não atenderem as necessidades técnicas, estão diretamente ligadas a interesses e troca de favores pós- eleição, favores esses prestados bem antes dos pleitos, em período como o que vivemos atualmente.

Ao contrário do que acredita Michel Temer, nunca uma indicação partidária no atual estágio das maracutaias acontecerá livre de pressões que impedem o pleno funcionamento de uma pasta, assim como a população necessita. Entretanto, a discussão sobre a capacidade de pessoas públicas para ocuparem determinados cargos públicos não se restringe apenas aos cargos de confiança. Dados estatísticos comprovam que muitos dos nossos parlamentares também não possuem o mínimo de condições para representarem a população, seja no congresso, nas assembleias ou principalmente nas câmaras de vereadores. Ao invés de atuarem como legisladores e fiscalizadores, vereadores, por exemplo, atuam como assistentes sociais ou mesmo prestadores de serviços em muitas ocasiões.

É mais que claro que para todas as profissões existentes é necessária capacitação técnica profissional. Mesmo que utópico, não seria absurdo defender, ao menos, que todos os concorrentes a cargos públicos tivessem graduação em administração pública ou algo semelhante. 

De qualquer maneira, não é mais possível admitir que a sociedade contrate políticos incapazes de representá-la a altura. Honestidade, decência e credibilidade não são virtudes, mas som obrigações para aqueles que pleiteiam tal missão. É sempre bom lembrar que os políticos são subordinados ao povo e por isso devem corresponder as expectativas. A próxima seleção de novos servidores acontece neste ano, em outubro, e é chegada a hora de uma boa avaliação para contratá-los, ou demiti-los de vez.
« PREV
NEXT »