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Henrique Cézar | A máscara caiu; E agora José?



O que os tucanos tanto temiam aconteceu. Tachado de dossiê contra o PSDB durante a campanha presidencial de 2010, chegou às bancas no início do mês o livro “A Privataria Tucana”, escrito pelo jornalista Amaury Ribeiro Jr. Os relatos ilustram um esquema de corrupção envolvendo grandes nomes da política nacional e que pode até ser equiparado com o mensalão. Porém, com uma diferença: Desta vez, os tucanos são os acusados. Considerado por grande parte da crítica como o maior trabalho editorial do ano, o repórter, após 12 anos de investigação jornalística, conta as maracutaias ocorridas no governo Fernando Henrique Cardoso durante as diversas privatizações e aponta como principal mentor das mesmas o ex-governador de São Paulo, José Serra. 

De acordo com reportagem da revista Carta Capital, o livro, sucesso absoluto de vendas e de procura nas livrarias, denuncia os anos dourados das privatizações sob o domínio tucano durante a década de 1990. Ainda de acordo com a revista, os relatos do livro giram em torno de Serra e um ex-tesoureiro de sua campanha, Ricardo Sérgio de Oliveira, responsável pela possível movimentação de bilhões de dólares em paraísos fiscais. Além de Serra, sua filha, Verônica, seu genro, Alexandre Bourgeois, e Gregório Marin Preciado, casado com uma prima do tucano, valer-se-iam do esquema, que além de lavagem de dinheiro, envolveria tráfico de influências, espionagens contra adversários de Serra, pagas com dinheiro público, e ainda brigas políticas no ninho. 

Mesmo estando o livro embasado com documentos obtidos de maneira absolutamente legal em diversas fontes públicas, a grande imprensa nacional permanece calada. Entretanto, mesmo com o silêncio de parte da mídia, a repercussão de A Privataria Tucana demonstra mais uma vez o poder da internet na nova opinião pública. O fato é que o internauta não fica sem informação e define a pauta do que é notícia. O tema, censurado pela linha editorial dos grandes veículos, toma conta das redes sociais, sites e blogs independentes, rompendo o silêncio e querendo saber mais sobre a queda da máscara daqueles que utilizaram das mesmas práticas petistas durante os oito anos de Fernando Henrique, e, desde o governo Lula, se apresentam como paladinos da ética, moral e defesa do povo brasileiro. 

Mesmo após as denúncias, documentadas, os tucanos permanecem em silêncio e quando se manifestam procuram desqualificar o livro e seu autor. Mesmo com grande credibilidade, vencedor dos maiores prêmios jornalísticos do Brasil, Amaury foi acusado durante a campanha presidencial de 2010 de estar produzindo um dossiê contra Serra, o que, agora, se concretiza, porém, ao invés de dossiê, através de denúncias fundamentadas. 

O fato é que não podemos mais viver cercado por mentiras. Precisamos de atitudes verdadeiras contra a corrupção, e não discursos calorosos cercado de interesses. Durante o primeiro ano de governo da Presidente Dilma Rousseff, seis ministros caíram por denúncias de corrupção, a maior parte delas apresentadas pela revista Veja, e em nenhum momento a opinião pública parou para saber qual o embasamento das acusações e a oposição foi logo solicitando investigações e demissões, que é, com certeza, seu papel. Entretanto, o que se mostra é a fragilidade da oposição nesta luta. Dos seis ministros demitidos nenhum está preso e quanto a isso a oposição já se esqueceu. 

A Privataria Tucana vem para mostrar, e provar, principalmente em terras conservadoras, que o PSDB é parecidíssimo com o PT e com todos os outros partidos do Brasil, com apenas uma diferença: não está no poder. Além disso, determina o fim da carreira política de José Serra e coloca em questão o jogo de dois pesos e duas medidas da imprensa. Porém, infelizmente, também sabemos que as denúncias não darão origem a investigações, já que do vinho que Serra bebeu todos os demais bebem e continuarão a beber, inclusive nesta ceia.
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