Header Ads

ÚLTIMAS
recent

Henrique Cézar | Divisão do Pará: Manipulação do Estado e prejuízo aos cofres públicos



A politicagem instaurada no espírito dos chamados homens públicos do país pode proporcionar mais um descaso com a sociedade. Os interesses privados de líderes políticos regionais, disfarçados de desenvolvimento dos menos favorecidos, querem dividir o território do Pará, criando dois novos Estados: Tapajós (no oeste paraense) e Carajás (no sul e sudeste do Estado). 

Se por um lado determinadas regiões do estado estão abandonas, desprovidas de investimentos e com os serviços públicos totalmente entregues a sorte, certamente a razão de tal situação não é a dimensão do Pará. Porém, baseados neste contexto, oportunistas de plantão apresentaram uma proposta com o objetivo de desmembrar em até três partes o segundo maior Estado brasileiro. Para isso, no próximo domingo, seus cidadãos irão às urnas em plebiscito para se posicionar a favor ou contra a medida. 

Caso seja criado, Tapajós teria quase metade de seu território ocupado por reservas indígenas ou florestais, incluindo o vale do Xingu, onde o governo pretende construir a usina hidrelétrica de Belo Monte. O Estado do Carajás, de ocupação mais recente, teria a mineração como principal atividade econômica. Já a nova formação do Pará sairia prejudicada, encontrando problemas de fontes de arrecadação. 

Partidários da divisão afirmam que ela facilitaria a gestão de todas as regiões paraenses, já que, devido à extensão territorial, certas regiões se localizam muito distante da capital do Estado, Belém, o que isolaria as mesmas. Além disso, com os dois novos estados, ampliar-se-iam os recursos federais destinados a essas áreas. 

Em contra partida, os defensores da manutenção das atuais fronteiras temem que a cisão empobreça mais ainda a região que permaneceria como Pará. Assim, com a divisão, os três Estados não conseguiriam receita suficiente para a manutenção da máquina e seria necessário mais dinheiro do governo federal para viabilizar uma infraestrutura inexistente em diversas regiões. O governador do Estado do Pará, Simão Jatene (PSDB), para se ter uma ideia, disse recentemente que "vendedores de ilusões sem identidade tratam o povo paraense como galos de rinha". 

Além disso, sabe-se que a criação de duas novas unidades da federação causará um impacto enorme nas finanças da união. Apenas de início, o saldo negativo seria de R$ 2 bilhões anual. Com Tapajós e Carajás, surgiriam 16 novos deputados federais, 6 novos senadores, 2 novos governadores, diversos secretários de Estado, além de duas novas Assembleias Legislativas. 

Contudo, percebe-se que a proposta em nada tem a ver com progresso e desenvolvimento para as regiões hoje esquecidas. A medida visa exclusivamente satisfazer os interesses de políticos que deslumbram a possibilidade de poder com novos cargos, novas vagas no congresso e novas obras, que gerariam novas verbas. 

Caso a população do Pará, em plesbicito, decida pela divisão, a proposta ainda terá que passar pelo Congresso e só assim seguirá para sanção da presidente Dilma, que poderá vetar. Vale destacar que se concretizada essa divisão, ficará provada a manipulação total do Estado em favor dos interesses pessoais dos políticos, o que é preocupante não apenas nas esferas federal e estadual, mas também na esfera municipal. Independente do que acontecer, a única certeza é que os cidadãos do Pará, seja perto ou longe do poder, continuarão abandonados e sofrendo com o descaso de quem manda.
Tecnologia do Blogger.